IBGE:
indústria recua 1,3% em julho; abaixo do período pré-pandemia
No ano, o
setor registra alta de 11% e, em doze meses, de 7%
Publicado em 02/09/2021 -
11:14 Por Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil - Rio de
Janeiro
A produção industrial
recuou 1,3% em julho. É o segundo resultado negativo consecutivo, acumulando
com o mês anterior perda de 1,5%, após alta de 1,2% em maio. Com a queda de
julho, a produção industrial ficou 2,1% abaixo do patamar pré-pandemia, de
fevereiro de 2020.
Em relação a julho de
2020, houve avanço de 1,2%, sendo a décima primeira taxa positiva consecutiva
nessa comparação. No ano, o setor registra alta de 11% e, em doze meses, de 7%.
Os números são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje (2) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o gerente da
pesquisa, André Macedo, em linhas gerais, o comportamento de julho não é muito
diferente do que já vem sendo observado ao longo do ano. Dos sete meses, houve
queda em cinco. Macedo acrescentou que o resultado continua relacionado aos
efeitos da pandemia da covid-19.
Segundo o gerente, em
janeiro de 2021, a produção industrial chegou a ficar 3,5% acima do patamar
pré-pandemia, mas depois desse mês, ainda no início do ano, houve fechamento e
restrições sanitárias maiores em determinadas localidades que afetaram o processo
de produção.
“Com o avanço da vacinação
e a flexibilização das restrições, a produção industrial agora sente os efeitos
do encarecimento do custo e do desarranjo de toda cadeia produtiva”, afirmou.
A pesquisa mostrou também
que a demanda doméstica provocou efeitos no resultado. A queda de 10,2% do
setor de bebidas, foi uma das influências negativas mais importantes da
produção industrial de julho. O recuo deste setor no mês, interrompeu três
meses de altas consecutivas, quando acumulou 11,7%. O setor de produtos
alimentícios registrou retração de 1,8% e foi mais um que pressionou o
resultado. Esta foi a segunda queda seguida, acumulando perda de 3,8%.
“Há dificuldade das
pessoas em obter emprego, com um contingente importante fora do mercado de
trabalho, a precarização do emprego e a retração na massa de rendimento, como
mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua,
divulgada na terça-feira (31) pelo IBGE”, disse o gerente.
Macedo destacou ainda a
contribuição do processo inflacionário que vem diminuindo a renda das famílias
e o consumo no dia a dia, comprovado pelo Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), divulgado no dia 10 de agosto pelo IBGE. “O resultado
da indústria está no escopo dos resultados de renda, emprego e inflação
mostrado pelas demais pesquisas”, completou.
O resultado sofreu
impactos negativos importantes dos setores de veículos automotores, reboques e
carrocerias (-2,8%), de máquinas e equipamentos (-4,0%), de outros equipamentos
de transporte (-15,6%) e de indústrias extrativas (-1,2%). No sentido
contrário, entre as sete atividades com crescimento na produção, coque,
produtos derivados do petróleo e biocombustíveis registraram alta de 2,8%,
provocando o principal impacto positivo. Esse é o terceiro mês seguido de
elevação com acumulado de 10,2% de alta no período.
Categorias
A retração de julho atingiu duas das quatro grandes categorias econômicas e 19 dos 26 ramos pesquisados. Bens de consumo duráveis registrou queda de 2,7%, sendo o sétimo mês seguido de recuo, acumulando perda de 23,4% no período.
Além disso, bens
intermediários caíram 0,6%, somando queda de 3,2% em quatro meses consecutivos.
Já os setores de bens de capital (0,3%) e de bens de consumo semi e
não-duráveis (0,2%) tiveram resultados positivos. No primeiro setor, foi a
quarta expansão seguida acumulando alta de 5,9% no período; já o segundo setor
devolveu pequena parte do recuo de 1,7% em junho.
Comparação
Em relação a julho de
2020, a produção industrial aumentou 1,2%, com resultados positivos em duas das
quatro grandes categorias econômicas, 14 dos 26 ramos, 46 dos 79 grupos e 54,4%
dos 805 produtos pesquisados.
O IBGE destacou que julho
de 2021 teve um dia útil a menos que o mesmo mês em 2020. Foram 22 contra 23.
As principais influências positivas entre as atividades foram veículos
automotores, reboques e carrocerias (21,2%), metalurgia (24,8%) e máquinas e
equipamentos (26,2%).
Nas doze atividades que
recuaram, a influência negativa mais intensa ficou por conta de produtos alimentícios
(-10,3%). “Entre as contribuições negativas, destacam-se os ramos de bebidas
(-15,2%), de indústrias extrativas (-2,7%), de móveis (-14,4%), de perfumaria,
sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-9,8%), de equipamentos de
informática, produtos eletrônicos e ópticos (-7,1%) e de máquinas, aparelhos e
materiais” indicou a pesquisa.
Na visão do gerente, em
grande medida, essas taxas se devem à baixa base de comparação, uma vez que a
produção industrial foi muito afetada em 2020 pelo isolamento social para
conter a pandemia de covid-19 e atingiu patamares negativos históricos.
0 Comentários