População ocupada aumenta 2,5%
no segundo trimestre, diz IBGE
Trabalho por conta própria
atingiu recorde de 24,8 milhões de pessoas
Publicado em 31/08/2021 - 12:39 Por Akemi
Nitahara – Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
O número de pessoas ocupadas no Brasil
subiu para 87,8 milhões no segundo trimestre, um aumento de 2,5% ou mais 2,1
milhões de pessoas, na comparação com o primeiro trimestre de 2021. Dessa
forma, a ocupação subiu 1,2 ponto percentual, ficando em 49,6%. Ou seja, menos
da metade da população em idade para trabalhar, com 14 anos ou mais, está
ocupada no país.
Os dados são da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e foram divulgados hoje (31) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desemprego teve leve
queda de 0,6 ponto percentual e ficou em 14,1% no segundo trimestre, com um
total de 14,44 milhões de pessoas em busca de trabalho.
De acordo com a analista da pesquisa,
Adriana Beringuy, houve crescimento em várias formas de ocupação, incluindo o
trabalho formal com carteira assinada, mostrando uma leve recuperação das
perdas provocadas pela pandemia de covid-19.
“Até então vínhamos observando aumentos no
trabalho por conta própria e no emprego sem carteira assinada, mas pouca
movimentação do emprego com carteira. No segundo trimestre, porém, houve um
movimento positivo, com crescimento de 618 mil pessoas a mais no contingente de
empregados com carteira.”
O emprego com carteira no setor privado
subiu 2,1% no período, totalizando 30,2 milhões de pessoas no segundo
trimestre. Na comparação anual, o número ficou estável, interrompendo quatro
trimestres sucessivos de quedas, segundo o IBGE.
Informalidade
Os trabalhadores informais somaram 35,6
milhões de pessoas, com uma taxa de 40,6%. Houve aumento tanto em relação ao
primeiro trimestre do ano (39,6%, com 34 milhões de pessoas), quanto com o
mesmo período do ano passado (36,9%, com 30,8 milhões de pessoas).
A categoria inclui aqueles sem carteira
assinada no setor privado e doméstico, empregadores ou empregados por conta
própria sem CNPJ e os trabalhadores sem remuneração.
O trabalho no setor privado sem carteira
teve um aumento de 3,4% no trimestre, para 10 milhões. Na comparação com o
segundo trimestre do ano passado, o número subiu 16% ou 1,4 milhão de pessoas.
Já o trabalho por conta própria atingiu o
patamar recorde de 24,8 milhões de pessoas. O número representa um crescimento
de 4,2% na comparação trimestral. Em relação ao mesmo trimestre de 2020, o
avanço foi de 3,2 milhões de pessoas, uma alta de 14,7%.
Segundo o IBGE, 52,2% da alta da ocupação
total na comparação mensal e 62,7% na anual se devem ao crescimento dos
trabalhadores por conta própria sem CNPJ, categoria que somou 19 milhões de
pessoas. Isso representa um crescimento de 6,2% na comparação trimestral.
Os trabalhadores subocupados por
insuficiência de horas trabalhadas atingiram o recorde de 7,5 milhões de
pessoas, alta de 7,3%. Na comparação anual, o crescimento é de 34,4%. Os
desalentados, que são as pessoas que desistiram de procurar trabalho devido às
condições estruturais do mercado, somaram 5,6 milhões, uma redução de 6,5% em
relação ao primeiro trimestre do ano e estável na comparação anual.
O contingente de pessoas subutilizadas,
que inclui as desocupadas, as subocupadas por insuficiência de horas
trabalhadas ou na força de trabalho potencial, foi de 32,2 milhões. Isso
representa queda de 3% em relação ao primeiro trimestre.
Atividades
Por ramo de atividade, o aumento da
ocupação no trimestre foi puxado por alojamento e alimentação (9,1%),
construção (5,7%), serviços domésticos (4,0%) e agricultura, pecuária, produção
florestal, pesca e aquicultura (3,8%). A analista da pesquisa explica que restaurantes
e hotéis avançaram 7,7% na comparação anual, o primeiro crescimento depois de
quatro trimestres de quedas.
“Esse avanço, porém, não faz a atividade
voltar ao patamar pré-pandemia, mas é um movimento de leve recuperação, depois
de registrar a segunda maior perda de trabalhadores em 2020, atrás do serviço
doméstico”, disse Beringuy.
O trabalho doméstico somou 5,1 milhões de
pessoas no segundo trimestre do ano, sem variação significativa frente ao
primeiro. Na comparação anual, o crescimento registrado foi de 8,4%.
Os empregadores ficaram estáveis nas duas comparações, com 3,8 milhões de pessoas nessa categoria. O setor público somou 11,8 milhões de trabalhadores, uma queda de 4,4% na comparação anual.
O IBGE calcula que o rendimento médio real
dos trabalhadores foi de R$ 2.515 no segundo trimestre de 2021, uma redução de
3% frente ao trimestre de janeiro a março deste ano e queda de 6,6% em relação
ao mesmo trimestre de 2020. A soma de todos os rendimentos dos trabalhadores
ficou estável em R$ 215,5 bilhões.
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