Setor de serviços cresce 1,2%, diz pesquisa do IBGE
Maior alta ocorreu nos serviços prestados às famílias: 17,9%
Publicado em 13/07/2021 - 11:35 Por Cristina Índio do
Brasil – Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
O volume de serviços cresceu 1,2% em maio. Com o resultado,
pela segunda vez este ano, ele superou o nível em que se encontrava antes da
pandemia de covid-19: 0,2%. Após dois meses seguidos de resultados positivos, o
setor acumula alta de 2,5%, mas ainda insuficiente para recuperar as perdas de
3,4% em março.
Embora apresente sinais de aquecimento na maior parte dos
seus segmentos de atividades, ainda está 11,3% abaixo do recorde histórico de
novembro de 2014. No ano, o setor acumula alta de 7,3% e, nos últimos 12 meses,
queda de 2,2%. Os números fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS),
divulgada hoje (13), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
A primeira vez que o segmento voltou ao patamar antes da
pandemia foi em fevereiro de 2021, quando alcançou um patamar 1,2% acima do
registrado em fevereiro de 2020, mês que antecedeu o início das medidas de
isolamento social.
O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, informou que o setor
vinha mostrando boa recuperação, mas em março, com um novo agravamento do
número de casos de covid-19, governadores e prefeitos de diversos estados e
cidades voltaram a adotar medidas mais restritivas, afetando o funcionamento
das empresas de serviços. “Em abril e maio essas medidas começam a ser
relaxadas e o setor volta a crescer”, explicou.
Três das cinco atividades analisadas pela pesquisa tiveram
crescimento em maio. Um dos destaques foi o segmento de transportes, serviços
auxiliares aos transportes e correio, com alta de 3,7%.
Para Rodrigo Lobo, o crescimento nos transportes tem muito
a ver com a queda no preço das passagens aéreas, além do aumento da demanda por
esse serviço. O transporte aéreo cresceu 60,7% em maio. “Além disso, o segmento
de armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correios (3,6%), que
também compõem a atividade, continua em ascensão, tendo atingido em maio seu
patamar mais alto na série histórica da pesquisa. Contribuem para esse
resultado as empresas de logística, as administradoras de aeroportos e as
concessionárias de rodovias”, observou.
Famílias
A maior alta dentre todas as atividades ocorreu nos
serviços prestados às famílias. Avanço de 17,9%. Foram também destaque no mês,
embora tenham menor peso (5,6%) no índice.
Segundo o IBGE, apesar do resultado, a atividade de
serviços prestados às famílias permanece muito distante do patamar antes da
pandemia com 29,1% abaixo. “Outra [atividade] que ainda não se recuperou foi a
de serviços profissionais, administrativos e complementares, que teve alta de
1,0% em maio. “Também não se recuperou ainda, estando 2,7% abaixo do nível em
que se encontrava em fevereiro de 2020”, revelou.
Lobo ressaltou que as demais atividades já ultrapassaram a
marca. A de serviços de informação e comunicação ficou 6,4% acima; a de
transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, 4,7%, e outros
serviços, 3,3%. No entanto, a de serviços de informação e comunicação, que tem
o maior peso no índice geral (34,4%), foi a que teve a maior queda em maio
(-1,0%). O outro recuo foi em outros serviços (-0,2%).
Turismo
O índice de atividades turísticas subiu 18,2% na comparação
com o mês imediatamente anterior e essa é a segunda taxa positiva consecutiva.
Nesse período acumulou um ganho de 23,3%.
Ainda segundo o gerente da pesquisa, esse avanço recente
recupera boa parte da queda de 26,5% observada em março, que foi um mês com
maior número de limitações ao funcionamento de determinados estabelecimentos.
“Contudo, o segmento de turismo ainda necessita crescer 53,1% para retornar ao
patamar de fevereiro do ano passado”[antes da pandemia], ponderou.
Regiões
Entre as unidades da federação, quase todas, ou seja, 23 de
27, tiveram expansão no volume de serviços em maio de 2021 em relação a abril.
O impacto mais importante nos locais que registraram taxas positivas em maio
foi em São Paulo, com alta de 2,5%. Essa é a localidade que tem maior peso no
índice geral (45 pontos percentuais).
Bahia (8,6%), Minas Gerais (2,1%) e Distrito Federal (3,7%)
também foram destaques positivos. Em queda, Tocantins (-2,9%), Mato Grosso
(-0,4%), Piauí (-1,9%) e Rondônia (-0,8%) apontaram as únicas retrações em
termos regionais.
Taxa positiva
No confronto com maio de 2020, os serviços cresceram 23,0%
no mesmo mês deste ano. Segundo o IBGE, essa é a terceira taxa positiva seguida
e a mais intensa da série histórica iniciada em janeiro de 2012. Nessa
comparação, o crescimento foi acompanhado por todas as atividades.
“A magnitude de crescimento do volume de serviços no mês é
explicada, sobretudo, pela baixa base de comparação, já que o setor havia
recuado 19,3% em maio de 2020, pois ainda estavam vigentes muitas medidas
sanitárias que reduziam a mobilidade da população e restringiam o funcionamento
de estabelecimentos considerados não essenciais”, detalhou.
Como é a pesquisa
Conforme o IBGE, o estudo produz indicadores que permitem
acompanhar o comportamento conjuntural do setor de serviços no país. Ele investiga
a receita bruta de serviços nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou
mais pessoas ocupadas, que desempenham como principal atividade um serviço não
financeiro, excluídas as áreas de saúde e educação.
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