Copom: Inflação persiste, mas economia evolui mais que o
esperado
Ata da reunião do comitê da semana passada foi divulgada
hoje
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central
(BC) informou hoje (22) que o aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica
de juros, a Selic, levou em consideração a “persistência da pressão
inflacionária” maior que a esperada, sobretudo entre os bens industriais.
Apesar da persistência, o comitê identifica tendência de melhora na economia do
país. Na última quarta-feira (16), o Copom elevou a Selic de 3,5% ao ano para
4,25% ao ano.
“Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições
de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário
hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação
elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do Real”, informou a
autoridade monetária ao divulgar a ata da reunião realizada na semana passada
pelo comitê.
Apesar da persistência inflacionária apontada, o BC prevê
uma “evolução mais positiva do que o esperado” para a economia brasileira,
conforme vem sendo identificado nos indicadores recentes que mostram “revisões
relevantes” nas projeções de crescimento. Com isso, acrescenta a ata, “os
riscos para a recuperação econômica reduziram-se significativamente”.
No cenário externo, a ata registra que estímulos fiscais e
monetários em alguns países desenvolvidos têm promovido ”uma recuperação
robusta da atividade econômica”, o que corrobora para um cenário mais otimista
nesses países.
“No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros
extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de US$ 5,052, e evoluindo
segundo a paridade do poder de compra, as projeções de inflação do Copom
situam-se em torno de 5,8% para 2021 e 3,5% para 2022”, diz a ata.
Levando em conta esse cenário, o Copom prevê uma trajetória
de juros que se eleva para 6,25% ao ano em 2020 e para 6,5% ao ano, em 2022.
“As projeções para a inflação de preços administrados são de 9,7% para 2021 e
5,1% para 2022. Adota-se uma hipótese neutra para a bandeira tarifária de
energia elétrica, que se mantém em ‘vermelha patamar 1’ em dezembro de cada
ano-calendário”, complementa.
Na avaliação do BC, manifestada semana passada pelo Copom,
foi dito que o cenário indica ser apropriada a normalização da taxa de juros
para patamar considerado neutro, de forma a mitigar a disseminação dos atuais
choques temporários sobre a inflação. “Não há compromisso com essa posição e
que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para
assegurar o cumprimento da meta de inflação”, complementa a nota.
Para a próxima reunião, a expectativa é de “continuação do
processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude”. O
comitê, no entanto, ressalta que uma deterioração das expectativas de inflação
para o horizonte “pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos
monetários”.
Trajetória
Com a decisão, a Selic continua em um ciclo de alta, depois
de passar seis anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa
permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros
básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano, em março de 2018.
Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até
alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica
gerada pela pandemia de covid-19. Esse foi o menor nível da série histórica
iniciada em 1986.
Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para
manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA).
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos
públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de
referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima,
o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque
juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e
incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para
cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços
estão sob controle e não correm risco de subir.
O centro da meta inflacionária, definida pelo Conselho
Monetário Nacional, está em 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual
para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 2,25% e o superior de
5,25%.
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